Capítulo 10 de 12

Capítulo 10: Anexo A3 — Visão Geral dos Frameworks Ágil e Lean

Core Idea

Nenhum framework listado aqui é obrigatório — o guia é explícito: uma abordagem ágil pode ser criada do zero, desde que coerente com a mentalidade/valores/princípios do Manifesto. Os frameworks abaixo foram selecionados por serem holísticos (cobrem várias atividades, não só uma), formalizados pra uso comum (não proprietários de uma única empresa) e populares na prática atual.

Reference Table — Frameworks de equipe única

FrameworkIdeia centralQuando considerar
ScrumPapéis (dono do produto, equipe de desenvolvimento, Scrum Master), eventos (sprint, planejamento, daily, revisão, retrospectiva) e artefatos (backlog de produto, backlog de sprint, incremento) num ciclo fixo de até 1 mês (sprint).Quando o time quer uma cadência fixa e estrutura de papéis clara — é o framework "holístico" mais adotado.
Programação Extrema (XP)Conjunto denso de práticas técnicas e organizacionais (pair programming, TDD, integração contínua, design incremental, ciclo semanal/trimestral) filtradas por 5 valores (comunicação, simplicidade, feedback, coragem, respeito).Quando o foco principal é qualidade técnica de engenharia de software, não só processo.
Método KanbanSistema puxado (pull) sem timeboxes obrigatórios — visualiza fluxo, limita WIP, gerencia fluxo, torna políticas explícitas, implementa ciclos de feedback, melhora colaborativamente. Raiz no Lean manufacturing (Toyota, 1953).Quando o time precisa de flexibilidade (sem compromisso fixo de iteração), tem carga de trabalho imprevisível, ou está começando a jornada ágil de forma menos disruptiva ("comece onde você está").
ScrumbanHíbrido evolutivo: Scrum como framework de papéis/sprints + Kanban pra visualizar/limitar WIP; gatilho de planejamento disparado quando o WIP cai abaixo de um limite, não por calendário fixo.Transição de Scrum pra Kanban, ou times que já misturam os dois na prática.
Métodos CrystalFamília de metodologias "coloridas" (Clear, Yellow, Orange, Red) que escalam o rigor conforme tamanho da equipe e criticidade do projeto (perda de vida/dinheiro essencial/dinheiro discricionário/conforto).Quando "uma metodologia só" não serve porque a organização tem projetos de criticidade muito diferente entre si.
Desenvolvimento Orientado a Funcionalidades (FDD)6 papéis (gerente de projeto, arquiteto-chefe, gerente de desenvolvimento, programador-chefe, dono de código/classe, especialista de domínio) + 5 processos iterativos (modelo geral → lista de funcionalidades → planejar → design → construir por funcionalidade).Projetos de desenvolvimento de software de grande porte que precisam de estrutura mais formal que Scrum puro.
DSDMAgilidade orientada a restrições: fixa custo, prazo e qualidade, e trata escopo/funcionalidades como a variável (inverte a lógica tradicional onde funcionalidades são fixas e prazo/custo variam). 8 princípios (foco no negócio, entrega no prazo, colaboração, nunca comprometer qualidade, construir em bases sólidas, iterar, comunicar continuamente, demonstrar controle).Ambientes que precisam de compromisso rígido de prazo/orçamento mas ainda querem adaptabilidade de escopo.
Processo Ágil Unificado (AgileUP)Versão simplificada/acelerada do Processo Unificado (UP), com 7 disciplinas (modelo, implementação, teste, implantação, gerenciamento de configuração, gerenciamento de projeto, ambiente) guiadas por princípios como simplicidade, foco em alto valor, independência de ferramenta.Organizações que já usam UP e querem uma variante mais leve/iterativa.

Reference Table — Frameworks de escalonamento (múltiplas equipes)

FrameworkIdeia central
Scrum de Scrums (SoS)Um representante de cada equipe Scrum (3-9 membros) se reúne com representantes de outras equipes (2-3x/semana) numa reunião no formato de daily, pra coordenar trabalho e impedimentos entre equipes. Pode escalar recursivamente em "Scrum de Scrums de Scrums".
Scaled Agile Framework (SAFe®)Base de conhecimento formal pra escalar em todos os níveis da empresa (portfólio, programa, equipe), organizado em cadeias de valor. Princípios incluem visão econômica, pensamento sistêmico, cadência sincronizada entre domínios, descentralização de decisão.
Scrum em Larga Escala (LeSS)Estende Scrum mantendo o máximo possível do modelo de equipe única (1 backlog de produto, 1 DoD, 1 dono do produto, 1 sprint pra todas as equipes) — adiciona só o mínimo necessário: planejamento dividido em "o quê" e "como", coordenação orgânica entre equipes, refinamento e retrospectiva globais.
Scrum CorporativoAplica Scrum em nível organizacional inteiro, não só em desenvolvimento de produto — generaliza as técnicas pra outros contextos da empresa, visando inovação disruptiva além da execução de projeto.
Ágil Disciplinado (DA)Framework de decisão de processo (não um processo fixo) — combina práticas ágeis diversas guiado por 6 princípios: pessoas em primeiro lugar, orientado à aprendizagem, ciclo de vida completo de entrega, orientado a objetivos, consciência corporativa (governança interdepartamental), escalável. Posiciona-se entre frameworks de foco restrito (Scrum) e excessivamente prescritivos (AgileUP).

Mental Models

  • Classifique qualquer framework novo em 2 eixos: abrangência da cobertura do ciclo de vida (faz uma coisa só, ou orienta o projeto inteiro?) e profundidade do detalhe de orientação (é um princípio solto, ou prescreve exatamente o que fazer?) — o guia usa esse mapa pra justificar por que escolheu os frameworks listados aqui em vez de outros.
  • DSDM inverte a pergunta padrão de trade-off: em vez de "o que cortamos se o prazo apertar", pergunta "que funcionalidades cabem no prazo/custo/qualidade fixos" — útil como contraponto mental sempre que alguém tratar escopo como intocável por padrão.

Key Takeaways

  1. Framework nenhum aqui é prescrição obrigatória — são pontos de partida testados, e uma combinação personalizada (como Scrumban, ou Scrum+Kanban+XP citado no Cap 3) é normal.
  2. Se o problema é "uma equipe só, preciso de estrutura clara" → Scrum. Se é "fluxo imprevisível, preciso de flexibilidade" → Kanban. Se é "múltiplas equipes precisam coordenar" → escolha entre SoS (leve), LeSS (minimalista, preserva Scrum puro) ou SAFe (mais formal e corporativo).
  3. Métodos Crystal e DSDM lembram que "rigor" e "agilidade" não são opostos — dá pra ser ágil e ainda assim ter compromisso rígido de prazo (DSDM) ou rigor proporcional à criticidade (Crystal).

Connects To

  • Cap 2: todos os frameworks aqui são instâncias da mesma mentalidade/valores/princípios explicados lá — este anexo é a "prateleira de opções" pra Seção 3.2 (Combinação de Abordagens Ágeis).
  • Cap 3: os padrões de combinação de frameworks (Scrum+Kanban+XP) usam peças descritas aqui.
  • Cap 6: os frameworks de escalonamento (SoS, SAFe, LeSS, DA) são referenciados na Seção 6.5 sobre coordenação de múltiplas equipes.